O ópio do povo

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por Lucas Abeid Pontes

Mais uma vez o povo entorpecido vai às cabines de votação escolher seus representantes em uma democracia esburacada, presente (como algo bom) quase que somente nas camadas médias e altas da sociedade. Na camadas mais baixas essa democracia se apresenta mais mesmo como entrave, burocracia e teorias…

Entorpecidos com o quê? O novo ópio que prospera em nosso tempo reside nos templos do individualismo e do ódio ao inimigo, seja qual for.

Também se encontra ainda muitos vestígios desse novo ópio nas atuais multi-telas presentes em todas as casas e em todas as mãos também.

Eis que um cotidiano entorpecido de Sábado à Sábado nos deixa à deriva da vertigem política.

A vertigem que leva todo um rebanho a votar contra si mesmo, a votar pelo lamento de quem os explora e os devora emocionalmente, numa vivência platônica de amor bandido.

A vertigem, o ópio e a prática democrática servil (onde o novo já nasce velho) fizeram muito bem seus papéis e louvados por uma justiça mercantil e sensacionalista nos deram de presente em 2019 um passado, cuja ponte militar senil, carregada de minas made in USA, desemboca nas costas de um povo cansado, porém entorpecido… especialmente aos finais de semana.

Viva a nova democracia?

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A Questão n.9

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Ps.:* A desinformação promovida pela absurda candidatura de Bolsonaro e o que ele representa é tanta, que o coletivo que prepara este projeto acabou caindo em uma FakeNews também:
Na página 2 (interna), no quadro “Gente como a gente?”, há uma imagem associando o candidato Bolsonaro à uma frase sobre o tratamento de Câncer que depois da impressão de nosso projeto foi desmentida pelas agências de verificação de boatos na internet.
Ainda assim, trata-se de uma meia-verdade, já que o candidato votou pelo corte de investimentos na Saúde e já declarou que não pretende destinar mais dinheiro para o SUS… o que fatalmente irá prejudicar todos os tratamentos públicos.

Você gosta do Chaves?

Outro dia alguém me perguntou, com um tom bem agressivo:

– Você é um desses comunistas filhos da p…?
– depende…

– do quê?
– do seu comunismo.

– tá louco?
– calma, se comunista pra você for alguém que gosta de pobreza, então não sou.

– Nem pobre gosta de pobre, pobre gosta é de dinheiro! haha
– Tem diferença. Mas tem mais…
Se comunista pra você for alguém ateu que vive atrás de satã e essas coisas… então não sou comunista.
Se comunista pra você for alguém que se aproveita da miséria dos outros… então não sou comunista.
Se for alguém que vive fazendo birrinha em público, então não sou comunista.

– Então você não é comunista?
– Por um lado não, eu vivo no capitalismo, mas por outro pode ser que sim, depende do ponto de vista…

– Então você admite que gosta de todas aquelas coisas que disse?
– O contrário. É que comunista me parece outra coisa… comunista pra mim gosta de pobre sim, mas não de pobreza, porque gostar de rico é fácil, difícil é gostar de ajudar os pobres à saírem da pobreza.
Comunista pra mim pode ser ateu, ou cristão, ou judeu e etc, mas até por isso não tá nem aí pro satã, tá mais ligado em fazer o bem ao próximo nessa vida.
Comunista pra mim é justamente quem luta contra quem se aproveita da miséria alheia e lucra com isso, comunista quer mais é dividir o lucro, pelo menos é o que tá escrito no manifesto deles né.
Comunista pra mim não faz birra em público, faz protesto, poque birra é algo que vem essencialmente do egoísmo e protesto é quase sempre pelos direitos dos outros.
Como eu disse, é mais o contrário…

– Então do meu ponto de vista você não é comunista, mas do seu você é, sei…
– vou tentar desenhar de outro jeito… tinha um seriado mexicano que ficou muito popular, que todo mundo gosta…. nele a história era sobre um menino pobre que vivia na rua de uma vila, vivendo num ambiente completamente hostil.
Quando chegava o capitalista querendo cobrar dinheiro de um morador desempregado que não podia pagar, o menino sempre chutava ele de lá de alguma forma, mesmo que sem querer querendo.
O amigo era um metido a riquinho que sempre queria mostrar os bens que consumia, vivia apanhando e fazendo birrinha no final.
Ele, o menino da rua, quando ganhava uma comida qualquer, sempre acabava dividindo e sempre ajudava e queria brincar igual aos outros, independente das diferenças. Era atrapalhado, mas gostava de trabalhar e tinha boa fé.
Já sua vizinha, era uma avarenta e vaidosa senhora, metida a elite, que tinha até um cachorro chamado satã.
O menino vivia assim no seriado, sofria preconceito e era chamado de gentalha, mas nunca quis continuar pobre… na verdade quem assistia é que devia gostar da pobreza dele, de ver a miséria alheia, de rir do satã, das birrinhas do riquinho…
Pessoas cruéis essas que assistiam e nada faziam né… posso te fazer uma pergunta?

– humm
– Você gosta do Chaves?

– Sim, mas nada a ver… é só uma comédia, não exagera.
– Pois é, eu também gosto, mas se alguém quiser ver essas coisas exageradamente fora de contexto e sem noção, vai acabar saindo por aí dizendo que somos todos capitalistas filhos de umas p… né?

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Uma pantera, linda, em meio às trevas.

Esses dias uma Pantera Negra aterrisou e decolou novamente para empoderar o futuro dessa nossa raça humana. No caminho, vai derrubando alguns Cavaleiros das Trevas por aí e por aqui.

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Espetacular, corajosa, vivida, destemida, verdadeira… linda. Essa Pantera Negra ainda irá ressoar na memória de muitos e por muito tempo.

Por mais paradoxal que seja, ela, nos dias de hoje, corre livre por todos os lados do globo e nenhum capataz é capaz de sequer levantar a voz contra ela. Assim ocorre com a verdade contra qual não há argumentos, assim existe essa Pantera Negra.

A verdade que dela sai é mais prática e real do que tudo que temos falado e vivido ultimamente, virtualmente… ridiculamente. Em sua própria fantasia, ela nos expõe ao ridículo. E que fantasia. Que vislumbre do futuro!

Obra de mentes especiais, talvez guiadas para nos presentear com essa chegada silenciosa, direta e triunfal. Essa Pantera Negra, como toda verdade incontestável, faz calar quem andava rosnando por aí e por aqui.

A contradição de seu tempo, a realidade sombria em que vivemos no momento, a total letargia da massa popular… estão neste momento sendo surradas pela arte, A Pantera reina sem meias-palavras.

Nesta hora triste socialmente, rendida aos desejos ególatras dos nossos dominantes, nós, que desejamos o progresso coletivo, ganhamos uma fôlego, uma inspiração, uma mostra de nossa verdade, para seguirmos em frente… de peitos abertos… corrigindo nossos erros ancestrais e atuais… até o pôr do sol.

Nos resta agradecer e honrar aos criadores desta obra de arte prática e real, dos quadrinhos dos anos 60 às mentes e corações deste mundo contemporâneo, passando pelas telas de 2018.

Muito obrigado, UBUNTU (Sou quem sou, porque somos todos nós).

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O golpe confirma sua principal ferramenta.

Não bastou o golpe parlamentar orquestrado pelas elites deste país para destituir uma presidente eleita pela maioria da população, com desculpas jurídicas que ridicularizaram o país perante o mundo.

Não bastou a também ridícula cena deste golpe parlamentar protagonizada pelos deputados federais e senadores, todos também eleitos por maiorias.

Não basta o golpe trabalhista e previdenciário que vem sendo executado com extremo cinismo pelos mandatários empossados desde 2016.

Não bastam os ataques de ódio que resultaram de todo esse processo vil.
Não basta aplacar a derrota pela força contra o povo brasileiro.
Nada disso bastou.

Para eles, ainda é necessário dar um jeito de acabar com as lideranças populares que se atreveram a confrontar o status quo estabelecido pelas elites.

A mídia se encarregou disso, com afinco… mas não somente.
A principal arma deles é a lei, essa pode dar um jeito de marcar a ferro e fogo as testas dessas lideranças. Como faziam antes com os Ecravos que ousavam fugir para a liberdade e eram recapturados, recolocados em seus lugares, devidamente ferrados com um ‘F’ na testa.

Assim é usada agora a lei e o judiciário neste país, como ferramenta que marca e expõe em praça pública aqueles que ousam pensar diferente da casa grande. Os capatazes da vez são os juízes e sua classe.
Razão nenhuma se vê em nosso judiciário que agora está devidamente exposto como arma das elites, após o absurdo “julgamento” de Lula sem provas, apenas convicções estratégicas. Com vários pesos e várias medidas, com parcialidade absoluta para com os seus.

Triste momento este para o povo que se encontra em processo de expulsão da vida democrática.

Nestes dias o ódio daqueles que são ou se pensam dominantes irá desfilar por aí… e o estado de exceção que vem sendo aos poucos imposto à população vai demostrando sua avarenta face.

Para ilustrar este argumento não é preciso muito, apenas olhe à sua volta.
Abaixo sugerimos um artigo e um fato para que entenda melhor nosso ponto.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/confirmado-o-estado-de-excecao-e-nosso-dever-moral-e-obrigacao-desobedecer-por-carlos-fernandes/

Tamo junto?

por Lucas Abeid Pontes

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No pior momento político, econômico e social das últimas décadas deste atormentado país, o que está acontecendo com os progressistas? quem está reagindo?

Nada e ninguém. Generalizando é claro, pois sempre haverá alguém disposto a se indignar e enfrentar o status quo.

Mas efetivamente… quem? Quais grupos? Quais entidades? Quais setores?

Um rápido exercício de um ponto de vista: O meu no caso, que pode não ser real, mas é o que percebo.

Partidos de esquerda ou centro-esquerda ou centro mesmo –
_PSTU não existe mais além de algum aglomerado nas capitais e não tem força sequer entre os setores mais radicais.
_PT é uma lástima sem fim, continua dando pequenas e falsas esperanças ao seu público somente para depois desiludí-los e confundí-los ainda mais.
_REDE é uma coisa indefinida que em pouco tempo já demonstra não ter sentido algum e não gera nenhuma expectativa à ninguém.
_PSOL em plena época de retirada de direitos dos trabalhadores, avanço de ideias fascistas, golpes e etc. o partido que tem ótimos quadros exeprientes e jovens voltou suas atenções e discussões para dentro, porque é tempo de congresso interno. Mas se não estivesse em congresso talvez os mais radicais continuassem preferindo a briga de egos do que alguma ação política efetiva e de massas.
_PCdoB… mais adjacente que nunca.
_PDT que há muito tempo sumiu do mapa progressista, criou anomalias absurdas como o Dr. Hélio em Campinas/SP e perdeu qualquer noção ideológica no processo, agora aposta suas fichas na figura de Ciro Gomes (que pelo menos este, tem corrido o país para fazer o contraponto do momento).
_se tiver mais algum… desconheço.

Sindicatos –
_Os sindicatos em geral estão mais ocupados tentando assegurar algum aumento salarial para suas categorias, o que é exatamente sua função.
_Centrais sindicais estão mais para garantir o futuro delas internamente do que fazer greve para o povo. Na última tentativa de greve geral, começaram até bem, mas logo fizeram algum acordo e cessaram a greve.

Movimentos Sociais –
Esses estão complicados, com o passar do tempo e vários enroscos eleitoreiros resolveram (a maioria) focar nos seus objetivos mais próximos, cada um em si.
Vou citar apenas três:
_MTST é o único que tem proposto o diálogo com os setores progressistas e tem sofrido por isso, os egos são enormes e os compromissos rasos. Ainda assim criou a Frente Povo Sem Medo e a iniciativa Vamos!
_MST tem encolhido como consequencia dos tempos e da falta de apoio, tem também se atrelado demais em torno do PT e cia. Propôs a Frente Brasil Popular, mas não tem tido fôlego.
_CMP pouco fez e pouco faz, mais pelas dificuldades do que pela vontade é verdade, está cercada de interesses eleitorais e como temos eleições a cada 2 anos, fica difícil progredir com outra pauta.

Estudantes Universitários –
Sem comentários, atualmente a maioria prefere ganhar dinheiro com festa mesmo e dane-se o mundo.

Periferia –
Tá lá.

Quem sobrou?

Eu e você e mais alguns ativistas talvez… já passou da hora de reagirmos, fazermos alguma coisa, propormos alguma iniciativa que faça, de fato, frente aos ataques conservadores e retrocessos. Trabalharmos na periferia. Colocarmos acima de nossos egos o futuro da nação e etc. Mas sozinhos é muito difícil, pra não dizer impossível.

Então fica a dica, tamo junto?

Seja Digital!

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Em Campinas-SP (assim como todas as prefeituras por aí) há uma enorme campanha para que você seja digital.
Como assim?

As TVs estão ficando desatualizadas, a tecnologia evoluiu, e agora elas são digitais e você pode ter ficado pra trás nessa, mas não se preocupe porque isso é impensável e a prefeitura já tomou todas as providências para que você seja digital também.

Numa impressionante demonstração de estrutura, organização, comunicação e aplicação dos seus impostos, o poder público garante que você receba um conversor digital pra sua TV. Tem duas TVs? Grande pessoa, não tem problema, se sobrar na hora você leva mais um. Quanto paga? Nada, “é de grátis”, seu imposto sendo bem utilizado em retorno.
Não tem como vir buscar? Relaxa, pode receber em casa, só fazer o cadastro. Não sabe como? Tranquilo, a prefeitura vai ao seu bairro e monta uma central de atendimento para retirada, se precisar até no domingo pode ser.

Tudo perfeito né?
Na verdade não. Muito suspeito aliás. Vamos pensar um bocado…
Quando foi que a prefeitura fez alguma coisa deste porte pra melhorar o atendimento no posto de saúde? E nas escolas? tem essa estrutura toda?
Quando foi que o prefeito usou toda essa comunicação proativa e colocou toda essa atenção para que você participasse de alguma reunião de conselho, fórum, ou fosse ouvido no plano diretor?
Nem precisa responder.

A questão é que essas são situações que influenciam e muito na nossa vida real, agora o conversor da TV… esse é justamente pra que você não influencie em nada, pra que você esteja focado apenas na sua programação digital, a novela que te oferecem, o futebol que te oferecem, o jornal (ou a verdade) que te oferecem e principalmente os produtos que te oferecem através da TV. É uma questão de mercado entende? Uma questão de consumo…

Se você não está digital, não assiste direito e eles não vão conseguir te convencer e nem vender facilmente. Seus impostos estão sendo bem utilizados para que as redes de TV mantenham os domínios da comunicação.

Mas isso é realidade demais, e a realidade é chata né?
Então não seja real, apenas sorria e… seja digital.

O meu, o seu… o nosso 2016

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Pra quê falar muito?
Em um ano onde tudo o que fizemos foi observar, absortos, uma mal organizada elite facilmente destruir décadas de luta social por direitos, justiça e oportunidades melhores.

Pra quê escrever?
Quando um ‘meme’ – imagem porca e engraçadinha – qualquer nos mobiliza, e nos emociona, mais do que adolescentes lutando por um futuro diferente.

Pra quê tentar buscar e compartilhar conteúdo?
Se ultimamente tudo o que queremos é nos agarrar com todas as suas forças às emoções fabricadas e ilusórias do próximo episódio da ‘nossa’ novela cada dia mais manipuladora e vazia, da próxima partida importante do ‘nosso’ time de jogadores milionários e mais alguns parasitas cartolas, ou ainda do ‘nosso’ seriado favorito, ou do próximo show da ‘nossa’ banda favorita, ou qualquer coisa do tipo.
Já reparou o quanto ficamos perdidos e depressivos quando estes entram em um recesso qualquer? Pois é, estamos sendo manipulados, e no nível mais primitivo… o das emoções.

Por quê continuar, ir em frente então?
Porque nos tiram tudo, mas enquanto a esperança nascer do nosso ventre ainda poderemos tentar fazer com que o amanhã seja um novo dia.

Nós, da ponte pra cá, não podemos nos cansar, ainda não temos esse direito.
Obrigado 2016, pela oportunidade do erro e por assim termos a chance de aprender com ele.