A história não os perdoará…

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No calor do momento muitas coisas podem passar incólumes à nossas percepções. Em meio a discussões políticas calorosas, tomadas de paixão e ódio fica difícil discernir acerca dos rumos que os acontecimentos podem tomar. E em função de uma visão bastante turva do que está em processo, permeada pela cobertura parcial e comprometida dos grandes meios de comunicação, fica difícil enxergar com clareza quem são e o que querem os personagens da trama em curso.

Hoje temos clareza da participação de certos setores da sociedade no golpe civil militar perpetrado em 1964 contra o presidente Goulart. Passado meio século, temos a exata medida da culpa da Rede Globo, da FIESP, da OAB e do governo dos Estados Unidos, entre outros, no ato que mergulhou o Brasil em duas décadas de um regime ditatorial e desumano.

Getúlio Vargas suicidou-se em 1954, à época tudo parecia confuso para qualquer leitor costumeiro de jornal. Hoje conhecemos bem os nomes e os interesses dos detratores de Getúlio e sua responsabilidade na construção da crise política que culminou com o trágico desfecho.

Na turbulência de momentos políticos controversos como o que vivemos fica difícil ter uma noção clara dos crimes que são cometidos em nome das “pessoas de bem”, em nome da probidade ou em nome da justiça. Mas a História é pacienciosa, tem seu próprio tempo, colhe calmamente os vestígios e investiga atenciosamente as fontes, depura o caldo e um dia, não amanhã ou depois, mas um dia, ela compõe seu juízo – do qual os culpados não poderão escapar por toda a eternidade.

Por hora a Globo, a Folha, o Cunha, o Temer, o Moro, a FIESP, a OAB e outros podem ser vistos como heróis ou combatentes incansáveis da corrupção por muitos daqueles que ingenuamente deixam sua opinião ser levada pela maré das manchetes e da inconsciência política generalizada que se resume a palavras de ordem genéricas e vazias de significado real. Por hora eles passarão, mas que não se enganem por essa breve sensação de conforto e impunidade, pois, com a a sabedoria e a sobriedade de uma velha anciã, a história não os perdoará.

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Para onde pende a balança da justiça?

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Parecemos estar à véspera de acontecimentos decisivos para a história do país. Há uma semana o presidente Lula foi “conduzido coercitivamente” pela Polícia Federal para prestar depoimento no âmbito da 24ª fase da operação “Lava-jato”. O ato teve contornos de grande espetáculo midiático, estando os principais veículos da mídia de prontidão no local para noticiar e transmitir em tempo real a “condução” do ex-presidente.
Esta semana o Ministério Público de São Paulo pediu a “prisão preventiva” de Lula, alegando que, em liberdade, ele possa atrapalhar as investigações ou comprometer provas.

Deverão ocorrer manifestações em várias cidades do país neste fim de semana, cujo objetivo será reanimar a proposta de impeachment contra a presidenta Dilma. Faz muito tempo que não há outro tema que chame a atenção mídia que não seja o das denúncias contra membros do Partido dos Trabalhadores e, em especial, contra Lula.

Por outro lado, o processo contra Eduardo Cunha (PMDB) contínua correndo quase que em segredo, sem qualquer conhecimento dos brasileiros em geral. E escândalos como o do desvio de merenda por membros do alto escalão do governo paulista (PSDB) já caíram no esquecimento da mídia e, por conseguinte, da população.

Aécio Neves foi citado pela quinta vez em delação premiada nas investigações da mesma operação “Lava-jato” e, no entanto, apresenta-se como uma das lideranças da luta contra a corrupção no país, contando com a conivência da grande mídia e o total impunidade por parte dos órgãos de justiça brasileiros.

Os órgãos do poder Judiciário, ao que tudo indica, há muito têm cedido às pressões da poderosa mídia e pautado suas ações pelo interesse que alguns veículos tem em desestabilizar ainda mais um governo que já é bastante frágil.

Como o país amanhecerá na próxima segunda-feira não é possível saber, mas que o clima parece pouco promissor para a democracia é algo de que tenho convicção.

Diante de tudo o que tem ocorrido nos últimos dias, tenho lembrado constantemente de uma frase escrita por Eduardo Galeano:

“Perante a lei terrena, a igualdade se desiguala o tempo todo e em todas as partes, porque o poder tem o costume de sentar-se num dos pratos da balança da justiça.”

Para uns mel, para outros fel?

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Toda forma de corrupção é condenável e todo político envolvido em corrupção deve ser condenado a pagar pelos crimes que comete. No entanto, por que alguns são alvo da indignação da grande mídia e outros não? Será que o crime deixa de ser crime dependendo de quem o pratica?

Nas últimas semanas assistimos a um verdadeiro massacre midiático em torno da figura do ex-presidente Lula. Por dias consecutivos os meios de comunicação repetiram exaustivamente os possíveis malfeitos dele, entre os quais a compra de um triplex no Guarujá, de uma fazenda em Atibaia e de uma canoa de pesca.

Sobre o caso de Lula cabe aos acusadores e investigadores provarem sua culpa, assim como cabe ao ex-presidente defender publicamente a inocência e probidade que alega. E se ficar comprovada a utilização de meios ilícitos para a obtenção de tais bens, que Lula, enquanto cidadão sujeito às leis do país, seja responsabilizado e punido adequadamente.

Na mesma semana surgiram novas denúncias contra políticos de oposição ao partido de Lula como Geraldo Alckmin (Desvio da Merenda em SP) e Aécio Neves (delação de Alberto Youssef à Operação Lava-Jato). A repercussão da mídia para estas denúncias, porém, foi muito menos estridente e repetitiva pra não dizer quase nula. Por que será?

Por que para uns um escândalo e para outros um sussurro? Quem ganha com isso?

Leia mais:
http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2015/12/delator-afirma-que-fez-entrega-de-dinheiro-destinado-aecio-diz-jornal.html

http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/215838/’%C3%89-um-ter%C3%A7o-SP-um-ter%C3%A7o-nacional-e-um-ter%C3%A7o-A%C3%A9cio’.htm

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/02/01/grampos-apontam-que-moita-do-psdb-operava-do-palacio-para-mafia-da-merenda.htm

Que será da Educação?

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O eterno inimigo da Educação entra em campo (de batalha) mais uma vez, contando com a costumeira truculência policial para rechaçar os estudantes que lutam por uma educação de qualidade.

Lá se vão duas décadas de obstinada luta do PSDB contra a educação pública e muita coisa já foi conquistada, hoje a educação de São Paulo é uma das piores do Brasil e do mundo. A precarização é tão grande que até mesmo o atual secretário da pasta no governo do estado reconheceu a péssima qualidade dos serviços.

Mas não pense você que os tucanos se acomodaram por isso. Esta semana o governador Geraldo Alckmin promoveu uma verdadeira declaração de guerra contra a educação. Para exterminar de uma vez por todas a educação pública de São Paulo o governador enviou a força repressiva da Polícia Militar, com carta branca para trucidar os jovens estudantes que ocupam mais de cem escolas em todo o estado.

A barbárie começou mais uma vez e o PSDB já deixou bastante claro que não brinca em serviço, não irá parar enquanto a escola pública não estiver completamente arruinada!

E para lembrar a firmeza das convicções tucanas recorro a uma arguta observação feita nas redes sociais:
“O governo do PSDB começou o ano batendo em professores, agora termina batendo nos estudantes”.

  • Veja vídeos e fotos da cobertura desta guerra

http://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/em-videos-e-fotos-a-repressao-da-pm-aos-estudantes-secundaristas-8726.html

 

Por que acreditar no improvável?

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Tudo lá fora está uma loucura e, como diria Bauman, antigos referenciais dão lugar uma lógica do agora, superficial e imediatista. Ao que parece não há mais lugar para a utopia em um mundo que se tornou extremamente pragmático, pontualmente consumista e descartador de tudo que não traga benefícios imediatos.

“E para que serve a utopia?” – sempre há quem pergunte…

A utopia serve para que a vida transborde o simples existir. Para que não nos tornemos escravos de um cotidiano repetitivo e inexorável, que vai nos matando lentamente, sugando nossa energia vital a cada dia.

A utopia existe para dar sentido à vida, não sentido individual, mas coletivo. Ela está aí justamente para nos levar além do lugar onde estamos, para nos fazer caminhar em busca de algo melhor, para nos tirar do conforto, da conformidade, da passividade diante dos males da vida e do mundo. E por isso ela é imprescindível.

Nas palavras do poeta:

“Se as coisas são inatingíveis… ora! Não é motivo para não querê-las… Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!” (Mário Quintana)

Quem é a favor da corrupção?

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Você é contra a corrupção? Em geral todos são, inclusive os corruptos – eles são contra a corrupção dos outros, aquela para a qual não foram convidados.

Há, porém, quem lute bravamente em favor da continuidade da corrupção no Brasil – sem escrúpulos ou mesmo sem vergonha por fazê-lo. Quer um exemplo, aqueles que votaram a favor do financiamento empresarial de campanha depois da manobra feita por Eduardo Cunha (PMDB) para uma segunda votação da questão.

Quer saber mais, um projeto de lei a ser votado pela Câmara  exime, em um de seus parágrafos, de punibilidade criminal quem tem conta no exterior não declarada à Justiça brasileira. Veja a notícia na íntegra pelo link abaixo:

http://colunaesplanada.blogosfera.uol.com.br/2015/10/27/emenda-em-projeto-do-planalto-livra-cunha-de-crime-por-conta-na-suica/

O que fazemos com o que fazem de nós?

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Em estudo divulgado recentemente, ONG britânica Oxfam Internacional concluiu que em 2016 o volume de riquezas de 1% da população mundial deve ultrapassar o dos outros 99%.

Caminhamos para um mundo cada vez mais desigual em que a concentração de renda tem aumentado a cada ano nos diversos países. Atualmente as 80 pessoas mais ricas do mundo (segundo a revista Forbes) detêm a mesma quantidade de riqueza que os 50% mais pobres da população mundial juntos!

A globalização, que encurta as distâncias geográficas através da tecnologia, tem acentuado as diferenças sociais e aumentado largamente as distâncias entre ricos e pobres em todo o planeta.

O capitalismo, após mais de cinco séculos em exercício tem aprimorado seu potencial desumanizador. Vivemos em um mundo profundamente desigual, injusto e violento, tomado pelo individualismo, pela indiferença e pelo egocentrismo crônico das pessoas. Como diria Zigmunt Bauman: “Hoje não há racionalidade nem solidariedade, só competitividade sem piedade”.

Mas certamente, não são os poucos privilegiados, os 1%, que farão algo para mudá-lo. Para eles tudo vai bem do jeito que vai.

E os outros 99%, o que farão para mudar essa realidade?

15 de outubro: celebração e luta

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Nesta “escola do mundo ao avesso” a educação é ainda mais essencial, porque tem o poder senão de transformar o mundo ao menos de mostrar que a transformação é possível. Para tanto, o professor é elemento central, protagonista, um apologista da mudança por excelência.

Ontem foi dia de celebrar os professores e professores, dia de agradecer sua luta obstinada por um mundo melhor e de reconhecer sua importância para a construção intelectual e moral da sociedade.

Contudo, ontem também foi dia para lembrar o quanto a educação e os profissionais que a ela se dedicam são desvalorizados no Brasil. Dia se indignar, criticar e exigir que a Educação seja tratada com a devida importância, que os professores sejam respeitados e que seu esforço seja valorizado e reconhecido não só pelos alunos ou pela sociedade civil, mas pelas autoridades municipais, estaduais e federais.

Enfim, celebramos os professores e saudamos a Educação porque eles merecem! Mas não nos esqueçamos de que a luta continua…