Gizamundo

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Indicação de leitura. (livro infanto-juvenil)

Foi num dia de pouco movimento na livraria que eu encontrei esse livro. A capa simples me chamou a atenção, com desenhos inspirados no grafite, nas ruas. Logo imaginei algo feito com muita luta, um grito oco em busca de visibilidade.
Ler foi um privilégio.Foi como uma troca entre dois mundos, um soco no estomago da sociedade que transborda um consumismo esmagador, no cidadão que vive sua vida de forma unilateral, projetando suas expectativas em uma linha reta sem se preocupar em passar por cima do que encontrar no caminho.
É assim que passamos todos os dias por cima de nossos jovens e Giza vem nos contar sua história, inspirada em uma jovem atendida pelo projeto Quixote, através deste delicado livro que mescla poesia e um texto sensível e bem elaborado com um pouco de fantasia conferido pelo cachecol de raposa que conversa com Giza, ás vezes lembrando-a de sua dura realidade na periferia e ofuscando o brilho de seus sonhos de seguir em frente de forma digna. Esse não é só um lindo livro, mas também é a denuncia, em forma de relato poético, de como vivem nossos jovens na periferia.
Gizamundo é um livro criado fruto de um projeto que ajuda jovens em situação de risco a entrar no, tão concorrido, mercado de trabalho. Foi desenvolvido por 40 educadores e jovens que enfrentam suas primeiras experiências de inserção no mercado, todos protagonistas de uma linda causa social destinada a criar oportunidades para nossos jovens da periferia.
Portanto indico a leitura, que é possível ser feita online pelo site; http://www.editorapeiropolis.com.br/gizamundo , e também para quem quiser conhecer mais sobre o projeto que teve como fruto esse livro incrível: http://www.projetoquixote.org.br/o-que-e/o-projeto/

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Quem quer ser mulher?

feminismo

Mulher não é difícil de entender, difícil é ser mulher com tantos “nãos”, com tantas regras e imposições opressoras e contraditórias. Mulher é construção social imposta pra quem nasce sem pênis.

A mulher não é reconhecida por sua individualidade, pela sua complexidade, não é alguém, é apenas mulher. Sua posição social se resume a servir o homem.

O homem busca uma mulher para ser “sua”; não sua esposa, e sim sua “mulher”, ou sua “mina”. Classificam as mulheres entre as que prestam para serem “suas” e as que servem para aliviar seu desejo sexual.

O desejo do homem não é pela pessoa que procura se relacionar, mas pelo alívio do ato sexual em si. Mulher é “coisa”, é propriedade, não se pertence, pertence àquele que a escolher como “sua”. A este ela deve servir com lealdade, este tem o direito de escolher outra, trocar caso ache a outra mais apropriada, mais nova, etc. À mulher não cabe a escolha, cabe a conformidade e a aceitação, do contrário, é louca, histérica, puta.

Sendo assim, quem quer ser mulher?

Eu não quero ser homem, eu quero ser mulher como ser humano fêmea, como alguém que pertence a si mesmo e que tem o direito de escolher o que gosta, o que quer, o que vai ser. Não quero ser mulher no que diz respeito a construção de gênero criada por uma sociedade machista e misógina.

Como você usa a internet?

alienado

Já pensou o quão amplo é o acervo de conhecimento disponível na internet? Trabalhos acadêmicos, livros, filmes, documentários, cursos e tutoriais. Você pode se tornar um especialista em qualquer área, basta ter disposição para aprender e acesso a internet.

As redes sociais aproximam pessoas do mundo todo, permite que qualquer pessoa gere conteúdo que, por sua vez, está disponível para qualquer pessoa.

É o terror de ditaduras e sociedades alienadoras, no entanto, o que vemos na prática é um mar de frivolidades sem fim.

Quando é possível dar voz a qualquer pessoa, em meio a gifs fofinhos e fotos do final de semana no bar, vemos aqueles que gritam contra a opressão, vítimas de abusos, que em vez de encontrar ajuda, são silenciados, tachados de chatos, “aqui não é lugar para isso”; ditam regras irreais criadas pelos consumidores da futilidade alheia.

Um mundo irreal, em que não existes tristezas, as tragédias são distantes e basta pintar a foto do perfil para se sentir um benfeitor da causa.

Há tragédias acontecendo em cada esquina, internet é exatamente o lugar para nos conectarmos, nos unirmos, compartilharmos conhecimento e informações negligenciadas pela mídia manipuladora. Portanto vamos nos questionar, temos uma potente arma em nossas mãos e como você usa a internet?

 

Pra que dia da consciência negra?

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O país é racista. Negro de terno é segurança, negra de branco é babá, negro na rua é marginal, na cadeia é culpado.

Negro já nasce culpado, a polícia não deixa esquecer. Sua pena a sociedade cobra todo dia.

Cabelo de negro é ruim.

Morreu? Menos um. Ninguém chora a morte de negro, só a mãe…negra. Na sala da faculdade tem um negro, cotas pra quê?

51% da população é negra. Negro é minoria?

Não sou racista, tenho amigo negro, transo com gente negra. Negro é fetiche, pênis de negro é fetiche, mulher negra é mais quente na cama, tem bunda grande.

Negro é preguiçoso, mas quem limpa minha casa é a faxineira…negra.

A cultura brasileira é criada pelos negros; feijoada, samba, carnaval. Branco não gosta, consome cultura estrangeira, mas gringo gosta, gringo compra, então acho que é bom.

Chuta a religião do negro, evangeliza.

Atravessa a rua que está vindo um negro.

Cuidado com o negro

Vai que ele descobre

Que ele é gente também, que quem rouba é o branco

a paz

a dignidade

a felicidade

a vida

do negro

Cadê a consciência…do branco?

Em que mundo você vive?

Quebrada
Esses dias estava na frente da casa de um amigo na periferia, eu e meu namorado, sentamos na calçada, o calor estava de rachar, e estávamos conversando sobre a segurança em determinados bairros, fazendo um comparativo entre viver em um bairro de periferia e em um bairro nobre. Sem entrar em estatísticas, estudos, nem nada, sem aquele ego insuportável dos pseudo intelectuais que se dizem tão sabidos de certos assuntos. Esse amigo meu, gente simples, me disse: “É… essas pessoas que moram em bairro de rico, parecem que vivem tão fechadas dentro de seu mundinho que não enxergam mais nada ao redor”.
É tão simples e também verdadeiro, vejo tanta coisa acontecendo, como na música “Panis et cirsense”: “As pessoas na sala de jantar, são ocupadas em nascer e morrer”, em um ciclo sem sentido, totalmente amortecidas em um paraíso de consumo, em um sonho egocêntrico e absurdo e não enxergam mais nada. Não sentem empatia por ninguém, agarram seus privilégios como uma criança agarra seus brinquedos e não despertam para o mundo em que vivemos.
Eu vejo algumas pessoas mais despertas, que parecem gritar suas dores, nas redes sociais, em suas vidas, em casa e em todos os lugares, tudo tão inútil. Algumas pessoas só conseguem sentir as próprias dores, e viver conforme um plano maior que é determinado para elas, seguem as regras que lhe foram impostas e ficam esperando reconhecimento por isso, afinal ela são “pessoas de bem”. Meus parabéns por isso. Está feliz?
Se a vida se resume à seguir as regras, seguir vivendo assim deveria bastar. Mas vivemos como escravos, nossa vida se resume a culpa, trabalho e consumo. E pela culpa se forjam nossos grilhões, sentimos culpa por sermos nós mesmos, por gostar do que gostamos, por pensar o que pensamos, como se não fosse algo natural, então nos sentimos pessoas ruins e seguimos tentando ser pessoas boas, procuramos ajuda e fazemos o que nos mandam fazer. E quem não faz o que as regras determinam deve ser condenado, afinal para quem se esforça tanto para seguir as regras, olhar pro lado e ver gente cagando pra isso, e sendo feliz sendo eles mesmos, deve ser realmente difícil.
Estamos virando uma horda de zumbis egocêntricos e psicopatas. Só choramos as tragédias mostradas pela TV, sabiamente escolhidas, enquanto tem lama jorrando em nossos quintais.

O que é ser mãe solteira em uma sociedade machista?

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Uma mãe solteira, conhece a dor, a incerteza, a desilusão, o chorar depois que o filho dorme e a solidão de viver à margem de uma sociedade que culpabiliza, que não aceita, que repugna.

Mãe solteira é uma aberração para o patriarcado, para o governo que não sabe lidar com essa situação, para a família que tem vergonha e as culpa pelo que eles enxergam como fracasso à condição de mulher.

As mulheres são criadas para serem boas mães e donas de casa, para serem a linda princesa que espera seu príncipe, encontrar o seu “felizes para sempre”, mas o que encontram, muitas vezes, são homens criados para tirar da mulher sua essência e escravizá-las com o apoio da mídia e de todo o machismo da sociedade.

A verdade é que nem toda a mulher quer casar, elas querem ser independentes, colher os sonhos, ter o poder de escolher, mas os baixos salários a que são submetidas, a misoginia dos relacionamentos heterossexuais, as imposições religiosas e pressões familiares, as fazem inseguras e criam a condição perfeita para empurrá-las para relacionamentos, na tentativa de alcançar alguma satisfação e estabilidade emocional e em alguns casos materiais.

A frustração do casamento, é algo difícil de lidar, a vida inteira as mulheres são forçadas a desejar tal coisa, e quando se deparam com o real “felizes para sempre” se percebem enganadas.

A chegada dos filhos muitas vezes são os grilhões que faltavam, entre amor e sangue vivem a violência e opressão em que toda a responsabilidade sobre a casa, os filhos e o relacionamento recai sobre a mulher, qualquer coisa que estiver errada a culpa é da mulher, até os erros dos maridos são jogados pra cima das parceiras. O complexo de culpa é tão arraigado a personalidade da mulher que a torna facilmente manipulável, a sociedade esmaga a auto estima da mulher, a torna quebradiça, sujeita a se submeter a relacionamentos abusivos e a sofrer calada todo tipo de violência, violência essa que é, na maioria das vezes, tratada como algo natural. Somos ensinadas a nos agarrar a qualquer homem que demonstre interesse, a lutar por relacionamentos fadados a desgraça, a nos submeter a vontade do parceiro.

Hierarquicamente a mãe é o degrau mais baixo da família patriarcal, ela está á baixo do homem e dos filhos, e está para servi-los acima de suas necessidades e vontades, é muitas vezes vista com pena, e a felicidade da família é de sua responsabilidade.

Uma mãe solteira será sempre vista como a mulher que falhou, e para esta cabe toda dor, dificuldade, e solidão a que for exposta, todos os esforços são para que ela encontre outro parceiro a se submeter, ninguém suspeita que o que a maioria das mães solteiras desejam é a independência, a possibilidade de se sustentar e aos seus filhos sem a intervenção de ninguém, porém novamente os baixos salários, itinerário fora da carga horária escolar (quando se encontra vaga nas creches e escolas), a responsabilidade total pelos filhos e a pressão da sociedade para o arranjo de um novo relacionamento criam uma rotina exaustiva e sem opções.

Eu também sou mãe solteira e gostaria de poder tirar com a mão toda dor e sentimento de culpa das mães que choram sozinhas e caladas, quero crer que toda essa dificuldade veio para mim com algum fim, quero parar de chorar e ter forças para buscar minha felicidade, e acima de tudo quero salvar essas mulheres de viver diariamente sob o peso que é ser mãe solteira.

Brasil, terra de quem?

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Em alguns anos conseguimos; criar um termo babaca, “heterofobia”, que pode ser considerado crime. Destruir inumeras famílias que não são formadas por pai(homem cis)+ mãe(mulher cis)+ filhos. Transformar homossexualismo em uma doença, e dizer que pode (ou deve) ser curada. Estamos trabalhando para proibir hospitais de prestar socorro a vitimas de abusos sexuais, negando proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e pílula do dia seguinte. Obrigamos a vitima, caso engravide, a ter o filho do agressor, que se reconhecido, deve registrar a criança, (ah, lembrando que mãe solteira+filho não é família).
É o estado dizendo para a vitima de uma violencia sexual: “Você não deveria ter saído sozinha aquela hora. Será mesmo que foi estupro? Como estava vestida?”
Estamos prestes a fechar centenas de escolas, e falamos em privatizar os presídios. Se estamos perdendo nossos jovens? Vamos reduzir a maioridade penal e coloca-los nas cadeias.
Eu vi jovens negros serem tirados de onibus e proibidos de ir pra praia. Eu vi uma criança de 12 anos levantar uma horda desavergonhada de predadores sexuais, pedófilos, misóginos, e um assustador numero de mulheres incríveis que tomaram coragem e compartilharam suas precosses historias de abusos, vivenciados por crianças com a média de idade entre 6 a 12anos. E vi fazerem piada disso…mas não achei graça.
Provamos que uma criança branca morta comove muito mais que centenas de crianças negras e faveladas mortas pelo descaso e pelas mãos da policia que devia defende-las, e que a pena de um crime pesa menos proporcionalmente ao aumento da conta bancaria ou influencia política do réu.
Vi a igreja dominar o plenário e um corrupto condenado internacionalmente ser blindado pela indignação seletiva e impunidade oferecida pela mídia, e estranhamente bem recebida pelas ovelhas zumbis que habitam a direita de nosso país.
Eu vi política ser discutida como futebol, com direito a uniforme.
Eu vi pedirem o golpe militar…
Eu vi pedirem um impeachman por puro revanchismo antidemocrático, e perseguirem os eleitores do candidato oponente com fanatismo, por que votaram contra o seu candidato favorito. Ah… O candidato “favorito” em questão é aquele do helicóptero com cocaína e da lava jato.
Bem eu poderia encher um livro com os retrocessos alcançados em nosso pais, isso citando só os últimos anos, mas já estou enojada demais pra continuar.
Só eu acho que isto esta ficando muito pior a cada dia?
Pára a terra que eu quero descer!
Somos uma sociedade machista, racista, elitista, em que o valor de cada um é medido pelo que a pessoa tem (não importa o que fez para conseguir ter) e nunca pelo que ela é.
Idolatramos os ricos, os invejamos, queremos ser como eles, morar em condomínio para fortificar meu dia a dia sem precisar ter que lhe dar com o caos social causado pela má distribuição de renda em nosso país.
Acho que bandido bom é bandido morto, menos os de colarinho branco, esses que destroem e roubam a sociedade são “os caras” afinal.
A nossa sociedade está em fase terminal, eu praticaria a eutanasia nesse caso, por que cada dia me convenço mais que isso só vai piorar.
Assuntos como o feminismo e racismo, levantam tanta revolta e perseguição e ainda querem nos fazer acreditar que isso não existe no Brasil, que isso é vitimismo, que vivemos em uma democracia.
Agora eu vejo candidatos que dançaram na cara do estado laico, representando a aberração da bancada evangélica, chamar feminismo de doutrinação. Sério isso?
Ah, não se atrevam a negar minha vivência, calar minha indignação, deixem minha família em paz.
Enfiem toda essa hipocrisia e ignorância no nariz, e o nariz em algum livro de história por favor.

Por que não criar princesas?

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Digamos que você tenha uma filha mulher, e mais do que isso, você é uma pessoa consciente de todo o machismo de nossa sociedade e a opressão que as mulheres sofrem no decorrer de suas vidas. Você olha para sua linda menininha, e se sente tão apaixonado por aquela criaturinha linda pura e inocente, pensa que ela vai crescer e se tornar uma linda mulher e deseja para ela a melhor vida que ela puder ter.

Vamos pensar um pouco sobre isso. O que para você seria a melhor vida que uma mulher pode ter?
Bem, se ela fosse um garoto você provavelmente pensaria em coisas do tipo; muito dinheiro, um emprego invejável, sucesso profissional, carros lindos, muitas mulheres lindas ao seu redor, muitas festas, viagens, e por aí podemos continuar a listar as glórias de seu rapaz rico e conquistador. E quanto orgulho! Você provavelmente o ensinaria a beijar as menininhas da escola, ser durão, valente, compraria carrinhos.
Voltando para sua linda menininha, imagino que você deseje algo parecido para ela, não é mesmo? … Não?
Bem a maioria poderia dizer que ela é sua “princesinha”, que você deve cuidar e livrar de todo o mal, criando sua princesa em uma redoma de vidro, longe de todo o mal que acontece no mundo, a colocaria para assistir contos de fadas de princesas belas e dotadas de um padrão de beleza seletivo, compraria bonecas e a incentivaria a ser delicada e submissa, e o mais importante, vai ensiná-la a ser linda.
Ok, vamos lá.
Sua filha vai crescer, vai pra escola, onde ela vai ser só mais uma criança, vai encontrar meninas mais de acordo com o padrão de beleza estipulado pela mídia do que ela, e ao invés de ser tratada como princesa, ela será tratada como mais uma criança, e pior, como mais uma menina. Vai ter que aprender na marra que ela não é mais especial que as outras crianças, que os meninos não são príncipes encantados prontos a salvá-la, na verdade eles serão a maior parte dos problemas dela. Mas você vai continuar dizendo que eles estão errados pois ela é uma princesa. Ela vai começar a achar que tem algo de errado com ela, vai perceber que seus elogios são vazios e vai perceber que tudo aquilo em que ela acreditou era uma mentira, pois a vida é dura. Ela vai se apaixonar acreditando no “felizes para sempre” que tanto viu nos contos de fadas (afinal, ela foi criada para isso), vai entrar em relacionamentos abusivos, fadados a fracassar, vai ser responsabilizada cada vez que um relacionamento não der certo.
Ela vai ser julgada pelas roupas que veste, pelas pessoas que se relaciona, mesmo se não estiver em um relacionamento.
Ela vai sofrer assédio na rua, na balada, na escola, no ônibus, no trabalho alguns vão traumatizá-la, e ela terá medo de andar sozinha na rua, de vestir roupas curtas, pois sabe que será responsabilizada se for estuprada.
As piadas machistas vão magoá-la, mas ela vai apenas sorrir, pois aos poucos vai entender qual é o seu lugar, vai acabar se casando como diz o figurino e vai reproduzir o machismo que a acorrentou a vida inteira. Vai se vestir, andar, falar, se comportar e fazer tudo como a sociedade espera.
Será que ela será feliz?
Devemos rever a forma como criamos nossas meninas. Os meninos são criados para serem fortes, conquistadores, são incentivados a buscar seus sonhos, enquanto criamos as mulheres para serem fracas, delicadas e submissas.
Devemos prepara-las para as dificuldades que vão encontrar em nossa sociedade , perceber seus potenciais e ajudá-las a desenvolvê-los, ensiná-las que meninas não precisam ser princesas, elas podem ser mais. Elas podem brincar de carrinho, elas podem ser engenheiras quando crescerem, elas podem ser boas em esportes. Deixar que elas sejam quem elas são, sem cobrança e com todo apoio que uma família deve dar.
Devemos dar a cada menina todo o protagonismo que roubamos das gerações passadas para que possam desenvolver todo o seu potencial. Devemos ter cuidado com esse mundo cor-de-rosa de contos de fadas, em que as personagens são totalmente submissas, a espera de seu salvador, o homem. Os desenhos colocam o casamento como um “fim” para todas as delicadas e lindas personagens femininas, como se este fosse o ápice do sucesso que uma mulher pode alcançar, um casamento com um bom partido.
Eu, por acaso, sou mãe de uma menina, e também mulher, sei o que ela vai enfrentar em sua vida e procuro criá-la com a consciência de que por mais que eu sempre vá amá-la, ela não é mais especial que as outras pessoas, ela tem que entender que não se pode ter tudo, mas que ela pode gostar do que quiser, e que ser mulher é ser guerreira, é ser forte, que ela terá que fazer escolhas e eu sempre estarei ao seu lado, seja ela uma princesa, ou uma engenheira, professora, astronauta… ou o que ela quiser.