HOJE, NÃO QUEREMOS FLORES!

“A mulher tem que se dar ao respeito”, essa é uma das frases que mais escutamos no dia a dia, há anos. É uma das frases que mais escutei nos últimos 26 anos.

Assim como “isso não é coisa de mulher”, “quando vai ser mãe?”, “mal-amada, mal comida, mal mulher”, “mas olha a roupa curta dela”.

Por ser mulher não podemos fazer muita coisa. Mulheres não têm autoridade sobre seus corpos, eles são públicos! São?

Sendo mulher, tem que ter cuidado com o que veste, com o que fala, onde vai e com quem vai. Não pode pegar o uber, vai ser estuprada!

Sendo mulher, tem que aceitar ser assediada.. — mas ela só tem 14 anos!

Ela já tem corpo de mulher…

Sendo mulher, tem que fazer malabarismos para não ser estuprada, desacreditada, culpada e morta.

Sendo mulher, as chances de ser morta é realidade diária.

Então não, hoje não queremos flores.

Homem, Mulher.. Mulher Negra, percebe o peso que essas palavras possuem? Qual a assimilação que você faz quando as lê em voz alta?

Sendo mulher, queremos igualdade, respeito.
Sendo mulher, não queremos ser diminuídas, esmagadas e olhadas como nada.

Só porque somos mulheres.

Hoje, queremos relembrar nossas lutas diárias, porque lutamos e muito, todo dia.

Sendo mulher, não queremos ser reduzidas ao nosso útero.
Sendo mulher, queremos ter controle dos nossos corpos.
Escolher.
Ser mãe ou não.
Meu útero não é sinônimo de maternidade.

Sendo mulher, não te damos direitos sobre nosso corpo.

Esse é um acordo tóxico, dessa sociedade patriarcal que te dá esse poder de decidir o que uma mulher deve ou não usar, deve ou não ir, deve ou não viver.

Olhe para seus privilégios. Entenda o lugar que eles nos colocam, pare de naturalizar essa superioridade ilusória e repressiva.
Sua masculinidade, não a use para oprimir.

Não use desse machismo para determinar nossas atitudes ou julgar nossas roupas, nossas falas, nosso trabalho, nossas lutas.

Parem de nos culpar, não imponha seu machismo sobre nós.
O feminismo não deseja te atacar. Igualdade de oportunidades não é ataque!

É reparação, é equidade.
É porque somos mulheres.

No entanto, falar mulher é também falar de raça. Ser mulher negra, significa ter que correr 20 vezes mais, porque somos esquecidas.
Na solidão, na miséria, nos estereótipos, marginalizadas.
Ser mulher negra, é ter que esconder a dor a todo instante e o medo aumentado em 54%, pois este é o número que determina nossas vidas. São os corpos de mulheres negras morrendo em abortos clandestinos, saúde precarizada, morrendo nas mãos de conhecidos e desconhecidos.

Falar de mulher, é entender também que as mulheres negras sofrem além da desigualdade de gênero, o elemento racial. Mulheres negras em sua maioria nem conseguem chegar a posições de embate, elas são silenciadas a cada minuto, por causa de sua aparência e de sua pobreza. Mulheres negras em sua maioria nem são vistas como mulheres, renegadas às sobras da sociedade, em educação, saúde ou em qualquer âmbito.

As migalhas jogadas para elas, são da informalidade.. nos relacionamentos, no trabalho e na sociedade. A diferença é tanta que mal podemos comparar.

Então não, HOJE NÃO QUEREMOS FLORES!

O que você acha disso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s