Em que mundo você vive?

Quebrada
Esses dias estava na frente da casa de um amigo na periferia, eu e meu namorado, sentamos na calçada, o calor estava de rachar, e estávamos conversando sobre a segurança em determinados bairros, fazendo um comparativo entre viver em um bairro de periferia e em um bairro nobre. Sem entrar em estatísticas, estudos, nem nada, sem aquele ego insuportável dos pseudo intelectuais que se dizem tão sabidos de certos assuntos. Esse amigo meu, gente simples, me disse: “É… essas pessoas que moram em bairro de rico, parecem que vivem tão fechadas dentro de seu mundinho que não enxergam mais nada ao redor”.
É tão simples e também verdadeiro, vejo tanta coisa acontecendo, como na música “Panis et cirsense”: “As pessoas na sala de jantar, são ocupadas em nascer e morrer”, em um ciclo sem sentido, totalmente amortecidas em um paraíso de consumo, em um sonho egocêntrico e absurdo e não enxergam mais nada. Não sentem empatia por ninguém, agarram seus privilégios como uma criança agarra seus brinquedos e não despertam para o mundo em que vivemos.
Eu vejo algumas pessoas mais despertas, que parecem gritar suas dores, nas redes sociais, em suas vidas, em casa e em todos os lugares, tudo tão inútil. Algumas pessoas só conseguem sentir as próprias dores, e viver conforme um plano maior que é determinado para elas, seguem as regras que lhe foram impostas e ficam esperando reconhecimento por isso, afinal ela são “pessoas de bem”. Meus parabéns por isso. Está feliz?
Se a vida se resume à seguir as regras, seguir vivendo assim deveria bastar. Mas vivemos como escravos, nossa vida se resume a culpa, trabalho e consumo. E pela culpa se forjam nossos grilhões, sentimos culpa por sermos nós mesmos, por gostar do que gostamos, por pensar o que pensamos, como se não fosse algo natural, então nos sentimos pessoas ruins e seguimos tentando ser pessoas boas, procuramos ajuda e fazemos o que nos mandam fazer. E quem não faz o que as regras determinam deve ser condenado, afinal para quem se esforça tanto para seguir as regras, olhar pro lado e ver gente cagando pra isso, e sendo feliz sendo eles mesmos, deve ser realmente difícil.
Estamos virando uma horda de zumbis egocêntricos e psicopatas. Só choramos as tragédias mostradas pela TV, sabiamente escolhidas, enquanto tem lama jorrando em nossos quintais.
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